Temos uma seção na Folha de São Paulo, onde publicamos as oficinas de fotografias. Vá lá, acompanhe a gente.
20/08/2010 - 07h39
Kombi Alice leva cinema e fotografia ao Vale do Jequitinhonha
INÊS CALIXTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Ouvidos ligados na história, olhos atentos para a tela de cinema, gargalhadas estrondosas. Segura boneco aqui, puxa o boneco dali, assim fomos recebidos no Quigemm (palavra afro que significa Casa Grande, onde todos podem chegar). O Quigemm é um projeto desenvolvido na cidade de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, espaço de referência onde indígenas e afrodescendentes se encontram para mostrar sua cultura.
| Inês Calixto/Divulgação |
![]() |
| Crianças brincam com bonecos |
Quigemm é como o Quilombo dos Palmares, espaço de luta pela cidadania, pela dignidade, pelo direito de ser.
A sede do projeto, tornou-se um centro de apoio para os garotos do bairro do Alto Santuário, que, no retorno da escola, bem no comecinho da noite, para lá vão, levando ritmo nos pés e batuque nas mãos. A noite é recebida com a alegre percussão que vem do Quigemm.
Como seria fotografar o Alto Santuário depois que a noite chega? Como seria fazer fotografia no ritmo do Quigemm? Desafio proposto e aceito. E lá fomos nós. Primeiro, foi preciso entender as regras básicas de fotografia, depois preparar as máquinas para fotografar com pouca luz, testar o equipamento, rever as regras. Feito isso, arriscar no clique.
Habilidosos em fazer a música sair dos tambores, os percussionistas do Quigemm se aventuraram pelas ruas estreitas do bairro, fazendo da câmera e da luz a caneta com que escreveram essa parte de sua história.
Clique aqui para ver as fotos feitas pelas crianças do grupo de percussão Quigemm.
Que cidade é Araçuaí?
| Inês Calixto/Divulgação |
![]() |
| Clic! |
Araçuaí é uma cidade do médio Jequitinhonha. Ela fica bem pertinho da foz do rio Araçuaí, lá onde ele mergulha no Jequitinhonha, engrossando o grande rio. Sua história começou há muito tempo, quando ouro e diamantes eram riquezas intensas em Minas Gerais. Com a diminuição do garimpo, o Vale foi sendo povoado mais para dentro das matas, e a população foi descendo de antigos vilarejos mais para baixo do Jequitinhonha, à procura de riquezas.
Conta a história que Luciana, uma fazendeira, decidiu lotear as terras de sua fazenda. A ideia foi boa e deu certo, aos poucos o povo foi chegando. Nascia o povoado que hoje é a cidade de Araçuaí.
Nessa época, o rio Jequitinhonha era navegável. Canoeiros subiam e desciam o rio, cantarolando canções que embalavam a vida. As canoas vinham carregadas: traziam o viajante e seus sonhos, o mercador com suas mercadorias, o pescador e o peixe.
Encontramos por aqui um canoeiro antigo, que lembrou os velhos tempos e cantarolou uma canção para criança não esquecer como era a vida, navegando rio acima e rio abaixo.
Cantiga de canoeiro
Em Araçuaí, aprendemos que falar em Jequitinhonha é falar de um povo que se reinventa bonito apesar da feiura da seca e da pobreza.
Clique para ver fotos do cotidiano do bairro onde está localizado o Quigemm.
+ NOTÍCIAS DA SÉRIE CLIC!
- Kombi Alice chega à cidade de Guimarães Rosa e faz oficina com contadores
- Kombi Alice chega a Pains e leva pequenos fotógrafos para cavernas
- Folhinha pega carona com fotógrafos da Kombi Alice, que viaja pelo Brasil
+ NOTÍCIAS NA FOLHINHA























