De volta da África

Eu contei que a Inês iria para a África em janeiro, né? Pois é, ela foi. Viajou dia 05 de janeiro e voltou dia 27 próximo passado, se convalescendo de uma malária.

 

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A malária foi algo pequeno quando comparado com a grandeza do que a Inês viveu lá. Ela ficou em Gilé, distrito da Zambézia em Moçambique, por 22 dias. Trabalhou com formação de professores e com 60 crianças entre 3 e 9 anos. Nos momentos livres fotografava.

O trabalho com as crianças aconteceu na missão dos Padres Claretianos em Gilé, onde a Inês com outras 15 pessoas se hospedaram.

Os sintomas da malária apareceram no domingo, no litoral de Chocas, lugar escolhido pelo grupo para descansar dois dias. Apesar dos poucos recursos, foi muito bem cuidada, quando chegou ao Brasil estava bem e sem plasmodiuns no sangue.

A Inês disse que assim que terminarmos nossas andanças pelo Brasil, vamos voltar à África. Contou também que o interior de Moçambique é como se fosse uma grande aldeia. Roda-se quilômetros vendo uma única e mesma arquitetura. Na maioria das vilas não há energia elétrica, o que dificulta o armazenamento de alimentos. A época do plantio é também a época da fome. O alimento armazenado, em geral, dura até o fim da seca. Quando começam as chuvas, as famílias preparam suas “Machambas” (roças), mas viverão com bem pouco alimento até a colheita.

Crianças e adultos fazem em média uma refeição por dia. Quando sentem fome vão em busca de alimentos: alimentam-se de cigarras, gafanhotos, ratos e de algumas mangas que ainda restam nas árvores. Comem frutas como laranja e limão verdes para saciar a fome.

Caçando ratos para se alimentar

Lidam diariamente com doenças como malária e cólera. A água é um recurso escasso. Caminham muito para buscá-la em poços, cisternas ou rios.

As residências são feitas de barro e cobertas de capim, lembra uma oca indígena. Alguns, dormem em esteira ao ar livre por causa do calor. Protegem-se do mosquito da malária cobrindo a esteira com um mosqueteiro armado em forma de tenda.

O fogão é improvisado junto ao chão. Aliás, a vida dessa gente se identifica o tempo todo com o chão. É um povo dócil, submisso e educado.

A vida por lá é quente, muito quente. O sol nasce às 4 da manhã e se põe a 17 da tarde. Mesmo a chuva não consegue deixar o clima mais ameno. A fome é constante e generalizada. Imagine-se convivendo vinte dias com uma população inteira que vive com menos do que essencial.

E a Inês conclui:

” E o que é mais admirável, nesses dias nunca vi uma criança reclamar de fome ou pedir comida. Mas eu os vi avançar numa palma com cupim da mesma forma que avançariam sobre um pacote de balas.

Nas matas do Gilé, já não mais animais grandes e nem pequenos, eu acho. Os passáros são raros. Consequência da guerra e da caça indiscriminada, creio eu.

Voltei para o Brasil com o compromisso de me manter conectada com o Gilé, ajudando as crianças que passaram por mim nesses 22 dias. Em abril enviarei roupas, livros e brinquedos. Se alguém quiser participar, envie as doações para o endereço da minha casa: R. Gomes de Carvalho, 1005 – aptº 3705. Vila Olimpia – SP”

4 Comments

  1. diogo
    Posted 31/01/2010 at 4:02 pm | Permalink

    parabenssss fotos lindas

  2. Posted 03/02/2010 at 4:00 pm | Permalink

    Parabéns pelo trabalho e melhoras, Inês!

  3. Alice
    Posted 04/02/2010 at 5:32 pm | Permalink

    Obrigada, Gleice. Já estou bem melhor, embora ainda fazendo acompanhamento médico.

    Abraços

  4. Alice
    Posted 04/02/2010 at 5:32 pm | Permalink

    Obrigada, Diogo! Fico feliz que tenha gostado.

    Abraços

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