Cordisburgo, lugar do coração ou coração do lugar? Estou confusa com esta tradução. Cordis= coração, burgo= lugar. Acho que em Cordisburgo cabem as duas leituras: Ela foi para ele a cidade do coração e ele é para ela o coração do lugar.
Ao chegar em Cordisburgo, cidade onde nasceu e viveu parte da infância, o escritor Guimarães Rosa, eu tive a impressão que estava entrando dentro dos contos do escritor. Fragmentos de textos podem ser lidos enquanto se caminha pelas ruas, ou enquanto se come um pastel, bebe uma cerveja ou compra algo no armazém da esquina.
Até parece que em Cordisburgo se respira Guimarães Rosa. Por isso eu acho que Guimarães Rosa é Cordisburgo (o coração do lugar), mas também acredito, como a maioria, que Cordisburgo é sua cidade do coração. É a sua cidade-saudade, cidade lembrança e a cidade cenário dos seus contos.
Em terra assim, nada é igual a uma cidade comum, muito embora tenha o que tem qualquer cidade. A cidade já é sertão tem vivendo nela sertanejo sente orgulho de ser sertanejo. Já viu coisa mais linda! Lá a palavra vale mais que as letras, carro dorme sossegado nas ruas, e pela manhã bem cedinho você já encontra o Brasinha com sua loja aberta, pronto pra ouvir e contar histórias.
Eu até que poderia falar muita coisa pra definir o Brasinha, mas acho que o que lhe cabe bem é: guardião da obra de Guimarães Rosa. Se tivesse conhecido o escritor em vida, provavelmente teria feito parte de suas histórias como o Manuelzão ou o Juca Bananeira. Mas… isso não importa, porque o Brasinha, hoje, é a expressão viva de Guimarães Rosa, em Cordisburgo. Exagerei? Claro que não. Só escrevi o que senti.
Mas lá o Brasinha não é o único. Todo mundo faz história ou tem história pra contar. E isso começa bem cedo, quando ainda criança e segue pela vida toda: assim é um Miguilim.
Lá na barbearia tem moda de viola.
Tem coco verde com pastel de banana, empadinha e bolinho de mandioca.
Tem o Stamar, artista plástico, com projeto de morar num elefante. A casa tá quase pronta.
Tem a gruta do Maquiné. Portal Grande Sertão: veredas.
Tem seu João Pião e Toninho Sozinha.
Tem museu, tem Miguilim.
Tem contador de história com registro em carteira.
Tem bordadeiras, tem Congado.
Tem gente linda de todo tipo. Tem uma mulher que se chama Darcy.
Gostou? Então visite Cordisburgo. Mas atenção! Não chegue lá como quem sabe tudo. Entre devagarinho, tire as sandálias dos pés. Lembre que você está pisando uma terra sagrada. Ajude Cordisburgo crescer bonita.





























2 Comments
Aff… me senti engradecida por ler essas coisas que você escreveu. Nós de Cordisburgo, “pequenina terra sertaneja trás montanhas de Minas de Gerais JGR., ficamos cada vez mais engradecidos por saber que existem pessoas com essa essência e que conseguem respirar e sentir o que vivemos… Obrigada!!!
Oi, Flaviana!
Puxa! Que legal seu comentário. Obrigada. Trazemos Cordisburgo no coração.
Beijim,
Alice, Franco e Inês