Desde sábado que andamos ligeiros como caminheiros errantes. Passamos por Jequitinhonha, fizemos uma pausa em Guaranilândia para conhecer o centro de artesanato do mestre Magela. Guaranilândia foi antiga terra indígena, por isso o nome e só o nome.
Alice enfrentou novamente a estrada. Chegamos a Almenara. Cansados, nos hospedamos no Sesc e dormimos muito.
Levantamos e continuamos a viagem. Destino: Salto da Divisa. Salto da divisa tem esse nome por ser a última cidade de Minas a ser regada pelas Águas do Jequitinhonha. Aqui, pescadores, canoeiros e lavadeiras viviam do que o rio lhes oferecia. Foi então que o progresso chegou e trouxe consigo uma hidrelétrica. Antes de mexer com o rio, os donos da energia embelezaram a orla, desapropriaram, colocaram espécies estranhas de peixes no rio e depois veio o pior: o salto foi canalizado e o rio transformado num grande lago.
Canoeiro deixou de navegar, as lavadeiras perderam o rio e os pescadores o peixe. A cidade continua pobre e singela, com uma orla de cimento que nem combina com ela.
Deixamos um trabalho encaminhado aqui. Vamos continuar no retorno da viagem. Continuamos viagem para ver a paisagem do Jequitinhonha até a foz do rio em Belmonte, na Bahia. Cruzamos o estado de Minas, estamos pertinho do Monte pascal. Chegamos a noite, ainda não vimos a cidade. Estamos dormindo perto de um posto de gasolina, montado num antigo casarão histórico, na frente dele tem duas bombas de combustíveis.
A viagem até aqui foi longa. Passamos por pontes de madeira rústicas, buracos na estrada, estrada de chão… De quando em vez o rio Jequitinhonha baixo de água, nos presenteava com sua beleza estonteante.
Quando em vez a paisagem mudava: ora era Cerrado seco, floresta em chama, ora uma floresta invasora de eucaliptos roubando água do solo, ora uma restinga pequena de mata atlântica. Por todo lado o Vale parece gritar: o Vale é rico, o que é pobre e lamentável por aqui são as políticas públicas.





























One Comment
Que porra de progresso burro fazem em certos lugares né. Dá uma angústia tão grande que parece que ficamos sem peito por um instante.. só fígado.. puto de raiva.