Aproveitando que estávamos em Belmonte, decidimos seguir viagem pela Costa do Descobrimento. Lugar lindo, feito de praias paradisíacas, algumas quase desertas. Foi numa dessas praias que almoçamos hoje, cozinhando peixe na areia e bebendo água do coco apanhado no pé. Ufa! Que trabalho!
Chegamos a Cabrália, na saída para Porto Seguro, paramos para conversar de pertinho com os primeiros moradores dessas terras, o povo Pataxó. A aldeia, com casas feitas de adobe e cobertas de capim, guarda uma tradição e cultura que luta para sobreviver aos 500 anos da invasão dos portugueses, quando então perderam suas terras.
O curioso dessa história é que guardamos uma visão romântica dos indígenas. Isso é tão verdade que, em Porto Seguro, eles estão imortalizados em esculturas que relembram a altivez primitiva, nas expressões e vocábulos. Paradoxalmente, perto de onde são contados como história, vive o povo, dono dessas terras. Aldeados, vivem à espera de que o governo federal reconheça seu território. Enquanto esperam, trabalham para reflorestar a área em que vivem. Isso é outro paradoxo: entregaram a terra verde e recebem a terra devastada, dura, imprópria para o plantio. Chegam e vão logo pensando em plantar uma floresta, floresta feita de árvores como o pau brasil que cresce em torno de 10 cm por ano.
Fiquei olhando as árvores de pau brasil, pequeninas, começando a crescer e fiquei pensando em como é grande a esperança desse povo.
Ao povo Pataxó nosso carinho e reconhecimento.
Abraços de Alice pra vocês





























2 Comments
Meu carinho e reconhecimento aos Pataxós também!
Hahahha.. 10 cm por ano.. para quem tem 500 anos de expropriação, de metros e metros abaixo por décadas e séculos…. 10 cm viram arranha-céus imensos brotando da terra que é o seu próprio corpo… e agora, que tenho filha, entendo.. 10 cm é um infinito…rs.