Sul do Pará – adentrando a região amazônica

Apesar da não evidência de uma amazônia selvagem, quando se chega ao Pará, têm-se a sensação de estar num lugar maior do que a si mesmo, familiar e estranho. A paisagem se modifica e a amplidão parece tomar conta do olhar que, pousado sobre uma árvores solitária no meio do pasto, se pergunta admirado: Meu Deus, qual a altura dessa árvore? Então,  a imaginação voa tentado ver a presença do que já está ausente: a floresta.

Enquanto isso, à margem da PA 150, povoados de casas que se colam umas às outras, feitas de madeira ou cobertas de palha, fazem a beleza de uma arquitetura sem influência portuguesa, italiana, alemã ou holandesa. É uma arquitetura popular tipicamente brasileira, feita por quem abria lotes na selva, pensada para proteger do intenso calor. São feitas da abundância do que existia por aqui: madeira ou palha. E, são lindas!

Sob um calor de quase 30 graus (pelo menos era essa nossa sensação térmica), chegamos a Eldorado dos Carajás, local que em 1996 foi cenário de um sangrento conflito pela posse da terra: o massacre dos sem-terra de Eldorado dos Carajás. Na Curva do S, distante dois quilômetros da cidade, em direção a Marabá, troncos queimados de Castanheiras gigantes, marcam o lugar o conflito; queimadas,  parecem chorar a própria morte, sorte severina, dos sonhos e da esperança, como a Lourdes (mulher militante) chora sobre a utopia que não virou realidade. De que valeram a morte de Dorothy e Adelaide? A guerrilha do Araguaia?

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