Uma luz… Uma moto e Paft! a história de um atropelamento

Foi assim que aconteceu: era noite em Serra Pelada, vila de Garimpeiros, dentro da Amazônia. Lugar lindo, tão lindo que deveria ser considerado patrimônio da humanidade. Inês e Franco fotografavam acompanhados por pessoas da comunidade.  Estavam voltando. De onde eu estava conseguia vê-los, ouso dizer até, que aquelas seriam as últimas fotos do dia, e foi…

De repente, vi uma moto vindo com velocidade em direção a Inês. Não deu tempo nem de buzinar avisando. Até parecia alvo certo. A luz do farol cresceu e Crash! Paft! Ploft! A moto bateu em cheio nas pernas da Inês, que estava de lado, jogando-a para cima e para o chão. A câmera voou longe. Barulho de lata batendo, de gente gritando e a minha viajante no chão. Caiu de costas, foi arrastada pela força da própria queda. O povo gritava: “Meu Deus!  A mulher foi atropelada! Meu Deus! Meu Deus!”

Enquanto a Inês caia Franco assistia o acidente da moto que, desgovernada, atirou o motoqueiro para baixo de um carro parado. O rapaz temeroso, levantou-se rápido e fugiu. Ficamos sabendo no dia seguinte que ele também se machucou bastante.

Logo que caiu a Inês tinha consciência do acidente, mas estava sem fôlego, não conseguia falar. As pessoas vieram tentando levantá-la, foi quando minha amiga gritou: “por favor, não mexam comigo”. Disse isso, porque temia ter fraturado a coluna. Franco estava desesperado, mas pediu que não mexessem na Inês.   Ela mesma foi tentando mexer braços e pernas e aí com ajuda das pessoas se levantou: as pernas estavam muito machucadas.

Um senhor chamou um carro que a levou até o hospital da vila, onde recebeu os primeiros socorros. O hospital tinha pouca infraestrutura, mas o atendimento foi bem feito: o enfermeiro de plantão, observou pelo toque das mãos, que não havia fratura aparente no toráx e nas pernas. Limpou a parte queimada pela moto e aplicou medicação.  Aplicou gelo nas partes contundidas.

Depois de algum tempo a Inês voltava para dentro de mim. Aí improvisaram o segundo socorro: enfaixaram as pernas doentes, para que ela pudesse dormir.

A noite foi longa, quase ninguém dormiu. Assim que amanheceu, Franco preparou um café, arrumou a kombi, se despediu de Serra Pelada e seguiu viagem para Marabá, em busca de um hospital. Era domingo.

Chegamos perto das 14h, cheios de expectativa, desconhecíamos as sequelas deixadas pela queda. Endereço: hospital da cidade. Procuramos a clínica particular da Unimed pensando que teríamos um bom atendimento.

Lamentável: o médico sequer avaliou a Inês. Pediu o raioX e liberou dizendo que estava tudo bem.

Franco procurou um hotel para que sua amada pudesse repousar. Depois, fez contato com Jairon, da Secretaria de Cultura. O jovem rapaz, gostou do projeto e providenciou um novo hotel para ficarmos. Nos colocou em relação com outras entidades da cidade. REcebemos ajuda e apoio da equipe do Observatório Social. Graças ao Jairon, Luiz, Israel e equipe, a Inês ficou dois dias em repouso absoluto, o que ajudou e muito na recuperação dos traumas sofridos no acidente.

Enquanto isso, o Chico e eu permanecemos na torcida, esperando para ver o final feliz dessa história.

Bibi! Fom! Fom!

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