Biju quentinho

Uma casa de forno, diferente de outros que já conheci, este é retangular, bem mais largo e também mais baixo. A altura da pedra de torrar farinha dá mais ou menos na cintura da Inês. Isso é muito baixo, uma vez que ela quase fica em pé dentro de mim (hehehe).

É forno feito pra mulheres. São aproximadamente 18h o sol acaba de se despedir da terra enquanto deixa no horizonte um azul anil com leves tons de lilás e magenta. Uma luz lateral alaranjada penetra o ambiente compondo com as luzes incandescentes das pequenas lâmpadas instaladas no teto de telha do forno. Ao redor dele três mulheres preparam o biju feito da massa da farinha. Enquanto uma móe a outra varre o forno e a terceira muda os bijus de lugar. Há deles de todo tipo: ao coco (ele é mais alto e mais grosso, feito tapioca de forno), um menor mais espesso em formato de tapioca dobrada e um último em formato de massa de pizza.

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Mal meus faróis alumiaram a cena e… Freench! Senti os pés do Franco sobre meu freio fazendo-me parar tão rapidamente que dei um leve soco para frente. Ele me posicionou de um jeito que eu podia assistir a tudo. Fiquei bem feliz.

A Inês nem esperou nada. Foi descendo, perguntando se era biju e se podia provar um. A viagem toda vinha reclamando que estava com fome, foi só ver comida e vapt! Avançou nela. As senhoras do forno foram gentis ao nos acolherem. Lá ficou o Franco fotografando e a Inês conversando. Não sei porque ela não fotografou, acho que queria viver aquele momento guardando as cenas só nos olhos e no coração. Ficou ali, vendo tudo, proseando e comendo biju.

Claro que ao sair levou um pacote do biscoito quentinho: dos mais grossos para ela e os bem fininhos feito massa de pizza para o Franco, sem nenhum sabor de gasolina para mim. Mas eu nem queria mesmo, digamos que não gosto de biscoitos a base de mandioca, prefiro alimentos à base de petróleo, sabe? Coisas assim, tipo óleo, gasolina, também gosto de álcool combustível, líquido de arrefecimento, fluído de freio. Ah! Adoro! Mas, vamos deixar nosso paladar de lado e voltar para a casa de forno.

Vivenciamos esta história no caminho entre Parnaíba e Tutóia, em terras maranhenses, mais especificamente em Cana Brava. Há de se dizer que, em nossa viagem pelo Maranhão constatamos um enorme descuido político, mas justiça se faça, não há povo mais bonito que o povo maranhense.

One Comment

  1. erika silva
    Posted 22/09/2011 at 10:44 am | Permalink

    Oi, td bem? Bom…Eu moro em Parnaíba, mas meus avos sao de cana-brava,e pra ser sincera não tinha conhecimento do site ‘Historias de Alice.Eu fiquei sabendo quando liguei para a minha prima,que tbm mora la, e ela me disse que vcs passaram por la, ela esta tomando banho perto da ponte,disse q um de vcs pediram para ela mergulhar,que o cabelo dela era grande, e eu queria v as fotos. Pode ser?! BJOS E PARABENS PELO TRABALHO.

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