De Choró a Juazeiro do Norte…

… Uma viagem para conhecer, construir e desconstruir antigos e velhos conceitos.

De vez em quando, bem no meio da viagem, uma pergunta começa a pular em minha cabeça: porque você está viajando assim? Para quê? Nesses momentos, o cabeçote que move meu motor, parece entrar em parafuso e eu fico tensa, assustada. Olho ao redor, o estilo de vida escolhido por meus viajantes não se enquadra no clássico “admirável mundo novo”, parece andar na contra-mão da história. Mas então, de repente, saio da rota oficial, entro por uma estrada de chão onde vejo muitas casas feitas de barro: são pequenas, baixas, quadradas, retangulares, rebocadas e sem reboco.

Sigo um jumento carregando água, entro num quintal onde três garotos brincam num carro velho. Eles moram no Ceará, mas não conhecem o gosto do caju. A vida é dura por aqui, mas eles sorriem felizes. Dentro da casa de pau-a-pique, uma tevê com sinal captado por antena parabólica; como brinquedo, além dos carros velhos, um video game. Na casa dos pequenos brincantes, não há água encanada, recurso raro nos longos períodos de estiagem, ela é trazida do açude no lombo do jumento.

Sou rodeada, admirada;  brincam com o Chico e se divertem ao se verem fotografados, querem mais e mais e são, eles próprios, diretores de fotografia, indicando como e onde querem ser fotografados.

Olho e brinco com eles. Inês tira de dentro de mim uma garrafa com melado de caju, divide em três porções e  presenteia meninos que degustam e aprovam, correm, comem, melam e se melecam.

Eu me aquieto e acendo os faróis de felicidade. Entendo de novo porque estou aqui. Por que quero isso e não aquilo e depois… Quem é que não gosta de uma aventurazinha, heim?

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