Paisagens nordestinas

Cada estado do Nordeste é uma surpresa.  Na parte litorânea a gente vive as mais belas praias do Brasil, com água verde clara, transparente, arrecifes, dunas, lagoas, falésias de areia colorida, montanhas, ilhas paradisíacas. Um espetáculo da mãe natureza! Esta é a parte mais visitada e talvez a mais conhecida da região Nordeste. Mas esta é também uma região de surpresas não contadas, não muito exploradas nos guias turísticos, nem nos livros de geografia.

Adentra-se um bocadinho mais, ainda no litoral, uma ampla área de mata atlântica, deixa a mostra o que chamamos de zona da mata nordestina. Em Pernambuco, paramos em Nazaré da Mata, onde antigamente havia grandes engenhos, e olha que eles datam de 1630, mostrando pelas construções e amplos canaviais, o que significou o ciclo da cana de açúcar para o Brasil, tão estudado na disciplina de história. Se quando tomamos conhecimento disso pelos livros, eles parecem não dizer nada, quando chegamos à zona da mata, as construções e o jeito das pessoas parecem contar tudo. A história ganha sentido.

Até acho que escola de história e geografia deveriam ser itinerantes: viajar nos livros de história, indo do passado para a atualidade e da atualidade para a realidade. Talvez a história fizesse mais sentido na vida dos jovens estudantes.

Ah! Por essas bandas, a cultura, nascida séculos atrás é preservada, guardada, dançada, celebrada no carnaval e nos canaviais. Estou me referindo ao Maracatu Rural. Lindo! Lindo!

Deixe a pequena Nazaré. Grandes e belas cidades fazem as capitais nordestinas serem encantadoras, sem nada perder, aos grandes centros urbanos do sul e sudeste.

Adentremos um bocadinho mais: a paisagem modifica-se fazendo uma transição entre dois biomas: a mata atlântica e a caatinga. Entre eles temos o agreste: De clima ameno, lembrando as terras do sul. As cidades serranas, encrustradas nas montanhas lembram cidadezinhas eurpopéias: estou me referindo a Triunfo, em Pernambuco,  À serra do Araripe, no Ceará, lugares lindos feitos de histórias florestas com biomas únicos como é o caso da floresta do Araripe, no Cariri Cearense.

Viajemos para o sertão: lugar onde a água se esvai do solo com facilidade grande. Onde o sol é intenso e a chuva só vem nos meses de inverno: que varia entre os meses de dezembro e maio. Nesse período o sertanejo planta o alimento, prepara-se para passar o verão feito de sol, e só sol. A vegetação de caatinga verde no inverno, seca totalmente no verão, parece morta. Todo o cenário se entristece. O matuto começa a buscar água longe de casa, nos açudes.  Á agua é trazida sobre a cabeça ou no lombo dos jumentos: conhecida como água de carga. Em algumas cidades pela manhã ou no final do dia, lá pelas 17 horas, há um movimento das pessoas em busca d’água. Trânsito intenso de jumento.

No sertão o gado pé-duro, nativo do lugar, é criado solto nas florestas. Profissão valorizada aqui e de grande prestigio, é a do vaqueiro, homem destemido que vestido de couro, adentra a fechada mata de caatinga para buscar o gado bravo.

Coisas grandes se vê pelo sertão. A estatura e a bravura do homem sertanejo se assimila a grandeza e bravura dos homens da floresta. Bravura dos primeiros guerreiros que habitaram nossas terras. Herança assimilada, herdada.