A’wê Uptabi, ”gente verdadeira”, é assim que o povo Xavante se autodenomina. Eles habitam o Cerrado Matogressense, para chegar à aldeia, roda-se perto de 120 quilômetros de estrada de chão. Os últimos 50 quilômetros feitos de areia, aclives e declives, leva à aldeia São Pedro, dentro da Reserva Parabubure, onde estive. Uau!! Foi suado chegar lá, mas com um bom motorista e dois índios fortes para me tirar das enrascadas, nem doeu tanto!
Vou lhes contar como foi ficar três dias na Aldeia São Pedro. Ah! Linda a aldeia! As casas são de palha, em formato arredondado, o telhado alto, desce como uma lona de circo, feito também da palha do buriti. As casas são dispostas em formato circular, como uma grande ciranda que deixa o centro aberto, livre para encontros, reuniões, festas e celebrações.
Logo que chegamos a comunidade veio nos acolher. A pedido do cacique Xisto Parapsé, levamos pão e refrigerante, que foi logo servido para toda a comunidade. Em seguida entregamos doces e brinquedos para as crianças.
A noite não demorou a chegar. Colocamos nosso carro ao lado da casa do cacique e fomos preparar o jantar. O fogão nem estava aceso ainda e o cacique chegou trazendo dois peixes, recém-pescados. A Inês ficou comovidae agradecida pelo gesto generoso do Chefe da aldeia. Depois, Preparou uma moqueca, que ficou muitooooo saborosa, apesar de eu mesma não conseguir provar um pedacinho sequer.
Acabava o jantar quando ouvimos cantos que soavam longe. Franco quis sair ao encontro do som que crescia marcado e intenso dando-nos a sensação de estar na floresta, mas o cacique o aconselhou a ficar aguardando que o grupo de guerreiros viesse até nós. Foi um bom conselho. Franco preparou-me, acendi os faróis e fiquei esperando. Sem delongas, chegaram. Cantaram e dançaram como se não tivessem platéia. Este foi um dos espetáculos mais lindos que já vi.
Nos dias que se seguiram fiquei estacionada feito casa-de-lata entre casas de palhas. As crianças não arredavam o pé de debaixo do meu toldo e adoravam sentar nas cadeiras compartilhando, ainda que fosse, só um pouquinho de mim. Eu amava vê-las espiando por entre a lona. Pareciam entender que quando o toldo estava abaixado até o chão, a casa estava fechada para visita, então, deitavam-se no chão e ficavam espiando. Se Inês e Franco estivessem por ali, elas acenavam com um balançar de mãos ou um sorriso; gesto correspondido significava que podiam entrar, aí rompiam todas as barreiras e ficavam paradas, observando cada detalhe e esperando que em algum momento, a Inês ou o Franco sairiam para brincar ou então, serviriam algo para as visitas.
Foi demais viver três dias entre os Xavantes. Eu quero voltar para lá.
Ah!, a propósito, estamos fazendo uma vakinha para comprar algumas vacas leiteiras para a aldeia São Pedro. Agradecemos todos os que puderem participar.
Fuiiiii!!!
Bibi! Fom! Fom!































2 Comments
Vou contar um pouco sobre a nossa terra ,somos xavantes vivemos num lugar cerrado mais bonito dentro do estado de Mato Grosso- Brasil. Sim,alí,ainda vivemos e mantemos nossas culturas para termos sempre Xavante Authêntico(xavante verdadeiro)segurando a natureza do brasil,como amamos a terra indigena brasileira……
Delfim!
Que prazer imenso encontrá-lo aqui no meu blog!
Olha, eu realmente achei lindo o Cerrado onde vivem. Linda também é a aldeia, as crianças e a cultura Xavante. Quero agradecer pelo carinho com que nos receberam. Franco, Inês e eu temos falado muito a respeito de vocês. Tem uma vakinha rolando lá no facebook e as pessoas para quem narramos a história de vocês e mostramos as fotos ficam admiradas pela beleza de sua cultura.
Nosso abraço com saudades,
Biibi! /fom! fom!