Diário de viagem

Terceira etapa da viagem
11/02/2012: Que linda é Barra do Garças. Ganhamos amigos como Maurinho do Roncador, a Cristiane do CEMA, o Baianinho, nosso guia até a gruta dos pezinhos, o Half do Expedições Roncador, que nos deu carona até o discoporto, nossos amigos Xavantes: Cacique Xisto e Delfim, da aldeia São Pedro, com quem viajaremos quinta-feira.
10/02/2012: De kombi zero, viajamos até a cidade de Goiás. Comemos empadão goiano no caminho e ao chegar lá, jantamos empadão Goiano. A cidade foi só passagem. Dormimos no posto e seguimos viagem na manhã seguinte para Barra do Garças.
28/01/2012: Acordamos no pátio do posto, como se o dia fosse só nosso. A luz que brilha em Brasilia é muito, muito linda. Preparamos o carro, batemos papo com a galera do posto, curiosos para ver a Alice mais de perto, enchemos a caixa d’água e saímos para a estrada como se nada pudesse atrapalhar nossa viagem. No caminho, paramos para almoçar numa churrascaria a beira da estrada e Franco percebeu que estávamos publicados no Correio Brasiliense. Ficamos felizes! Pé na estrada! A paisagem nos tomava completamente, de volta para o Cerrado, difícil dizer qual dos biomas é mais lindo e mais gostoso de se estar. O certo é que revendo o Cerrado nos damos conta do quanto sentíamos saudades.
Pouco antes de chegarmos a Goiânia, um estouro de peça quebrando e o motor começou a estourar. Paramos o carro imediatamente e chamamos um guinhco. Enquanto isso, Franco fez alguns contatos por telefone.
Alice foi guinchada até o Xantara Hotel, lugar onde podíamos estacioná-la com guincho. Ficamos sábado e domingo na expectativa. Na segunda-feira, levamos para a Belcar, concessionária autorizada para um diagnóstico. Veja detalhes no post meus dias de oficina. É… foram 13 dias de oficina…
27/01/2012: O café no restaurante do albergue foi bem animado: encontramos um senhor , ex-militar viajando com um motorhome, que nos contou sobre suas aventuras e façanhas na Selva Amazônica. Franco ficou interessado e animado para a viagem, que já começamos a empreender.
Conhecemos também uma agente de turismo de Cuiabá que nos deu ótimas dicas. Café tomado, prosas em dia, fomos para o PIER 21, onde a entrevista com o Correio Brasiliense estava agendada. Na hora marcada foi um quantidade tal de cliques, que nossa! Ufaa!!! Depois da entrevista um convite para almoço em casa de amigos diplomatas. Lá fomos nós. À noite, um encontro com amigos fotógrafos, no FotoBarragem. Lindo o lugar e linda a experiência de contar nossa viagem para amigos da profissão. A noite foi inesquecível. Aceitamos o convite da Rosa Thompson para dormimos em sua casa.
Dia seguinte a conversa era tão boa que a gente não conseguia ir embora. Depois do almoço, na sexta-feira, pegamos o caminho para Goiânia, mas antes demos uma passeadinha na cidade e aí… Dormimos num posto na saída, velho conhecido de outras passagens por Brasília.
26/01/2012: Entramos no estado de Goiás. Outros ares, outra paisagem, o Cerrado já se deixa ver, percebemos que a linda e dura caatinga já não nos acompanha. Decidimos chegar até Brasilia. Tocamos direto. Às 17h entramos na cidade-mãe. Logo, um amigo nos telefonou e outro e outro. Uma entrevista foi marcada. A gente nem sabia ainda onde ficaria. Nos indicaram um camping no albergue da Juventude, lá fomos nós, não sem antes passar no shopping para o Franco matar a fome de mac sanduíches.
24/01/2012: Bem cedinho, tomamos café na lanchonete do posto, nosso último café nordestino, feito a base de cuscuz, tapioca, carne de sol, cabrito ao molho etc. Hum! Delícias que só o Nordeste sabe oferecer. Alimentados seguimos pela estrada procurando um desvio que encurtaria a distância para entrarmos no estado de Goiás.
A paisagem na BR 242 é linda. Vimos pela última vez o São Francisco  e depois rodamos ainda vendo a várzea do velho Rio cheia, inundando campos como um Nilo Brasileiro. o movimento de caminhões também é intenso, o que nos deixa muito acordados…
Em Muquém do São Francisco pegamos a estrada vicinal BA 171. alguns buracos e muita solidão, paisagem conhecida de campos e uma estrada sem curvas, reta e cansativa. Paramos para o almoço em Santa Maria da Vitória e dormimos num posto, na cidade de  Correntina.  O posto era bem grande, com boa infraestrutura. Na manhã seguinte, pegamos 400Km de estrada não tão solitária e dormimos num posto, antes da cidade de Posse, em Goiás.
23/01/2012 : Depois da Chapada voltamos para Ibotirama, na beira do São Francisco. Chegamos perto das 15h, o sol ardia a pele, quase sempre despreparada para ele. O Velho e bom Chico, como sempre, estava lindo, com suas águas em tom de azul escuro, contrastando com o céu de anil. Nas margens, à contraluz, um grupo de garotos saltavam em vôos livres e saltos mortais sobre as águas, levemente onduladas. O rio os acolhia brincalhão, deixava-os chegar ao fundo, conhecer seus mistérios para, em seguida, os devolver em movimento elástico.
Na margem eu fotografava os movimentos dos meninos e do rio. Os garotos gostavam da câmera e da minha presença. Entre um salt e outro me chamavam e se revezavam para ganhar minha atenção, queriam ter certeza que eu os tinha visto e que a máquina estava preparada para fazer o registro.
Depois, achei que devia mostrar as fotos, e eles se reconheciam e riam… Foi um instante mágico.
Logo Franco chegou com a Alice, ficamos mais um bocadinho ali, presenteamos a galerinha com pirulitos e balas que trazíamos no carro.
Deixando o rio para trás adentramos a cidade. Ibotirama é uma cidade de porte médio, bem organizada e agradável. Procuramos pelo posto onde já havíamos dormido na primeira etapa da viagem, ficamos ali, no posto Nova Olinda.
23/01/2012
A despedida da Chapada foi dolorida,  coração e corpo pediam para ficar mais. A manhã estava nublada, o dia acordara triste, mas logo que passamos o morro do Pai Inácio o sol se abriu todo em sorrisos deixando a mostra uma estrada linda. Rodamos até Ibotirama, às margens do São Francisco.
Em Ibotirama, o calor estava a pino. As crianças tomavam banho no rio. Aproximamos-nos para fotografar, foram as fotos mais lindas de salto na água que fizemos na viagem. Dormimos no posto Nova Olinda.
Na manhã seguinte, preparamos a kombi.
20/01/2012: Chapada Diamantina.
Voltamos para a Chapada, um ano meio depois de nossa primeira estada por aqui. É incrível como as coisas mudaram em um ano. Algumas lojas e restaurantes deixaram de existir, o café do Veinho já não é o mesmo sem suco de maracujá do mato e sem aquele pãozinho, tipo caseiro, cheio de carne moida. Hummm!!!! Aqui ficamos no camping perto da Igreja sob jaqueiras gigantes. Franco até conseguiu uma fruta que está quase madura. Apanhada, ela esta sendo curtida em uma sacola de plástico. Vamos ver o resultado.
Aqui conhecemos um casal bem simpático: a Isabel e o Dedé, ela médica de Friburgo e ele professor baiano, morador da praia de Itapuã. Na barraca 5 estrelas do Dedé, comemos um delicioso pirão de feijão acompanhado de churrasquinho e cerveja.
Aos novos amigos nosso abraço.
19/01/2012: Chapada Diamantina.
Deixamos SAlvador, em direção ao oeste baiano, com passagem garantida pelo Chapada Diamantina. Programamos dormir em Feira de Santana, mas chegando lá os postos indicados no Gps não correspondiam às nossas expectativas. Seguimos viagem pela BR 116. Em Santo Estevão, dormimos num posto de atendimento ao usuário. Foi um bom lugar: banheiro limpo e um pátio só para gente com segurança 24h. Na manhã seguinte, acordamos e seguimos para a Chapada pela Ba 242.
18/01/2012: Chegamos pelas 17h em Salvador.
Paramos no mercado, fizemos uma compra gigante, para passar alguns dias em camping. Depois nos perdemos um milhão de vezes, o GPS não sabia o que fazer conosco em salvador. Resultado, quando conseguimos chegar ao Camping Ecológico da praia de Itapoã era noite. E o local… Ah! de noite todos os gatos são pardos. Urra! Não gostamos do lugar, não teríamos sombra onde deixar o carro. Muita discussão e decidimos: não ficaríamos ali.
Se não ficássemos ali, para onde iríamos? Nas cidades é difícil encontrar um posto 24 horas que permita pernoites. Nessa hora já rolava um stress. Franco sugeriu: _ Vamos ao aeroporto.
E para lá fomos nós. O rapaz do estacionamento permitiu que dormíssemos no veículo. Estacionamos na parte mais arejada de frente para a cabeceira de pouso e decolagem. O barulho dos aviões era ensurdecedor. Dentro o carro, uma multidão de sacolas, com frutas, verduras e carne para o camping. Olhei para tudo aquilo e senti vontade de chorar. Mas enfim, até que ficar no terminal não seria tão ruim assim.
Deixamos o carro e fomos passear no aeroporto. Depois dormimos muito. Na manhã seguinte, deixamos o carro estacionado, afinal a diária de 24 horas já estava paga, pegamos um busão e fomos conhecer SAlvador.
Retornamos as 16h para seguir viagem.
17/01/2012: Deixamos Aracaju,
passamos rapidamente por São Cristóvão onde encontramos amigos que nos conheciam pelo site. Foi bem legal. Visitamos a biblioteca, o museu do folclore e o museu da cidade. Partimos em viagem antes do almoço. Alguns quilômetros depois deixamos a BR101 e saímos para a estrada coco, ou linha verde. Paramos em dois ou três lugares para fotografarmos e almoçamos um churrasquinho com arrroz bem gostoso, perto das 15h.
Pelas 16h30 estávamos na Costa do Sauípe, até chegamos ao resort, mas… Brincadeira!, claro que ali não haveria hospedagem para a gente. A taxa para passar o dia custa 5,90.
Continuamos na estrada. Em Imbissai, na linha verde, no quilômetro 10,  encontramos um camping muito legal, bem a beira mar, chamado Camping Brisa Mar. Paramos para pernoite, pois não queríamos passar por Salvador à noite. Dia seguinte, acordamos com o sol esquentando o carro. Tomamos um café tranquilos, pois Franco havia localizado outro camping em Salvador, depois, arrumamos o carro para a viagem e fomos curtir a água que forma piscinas deliciosas nos arrecifes. Por pouco, bem pouco, não mudamos os planos de viagem para permanecer ali mais alguns dias.
Queríamos conhecer Salvador e o camping de lá oferecia entre outras coisas internet, água e luz. Ora, topamos sair da água e encarar a estrada.
15/01/2012: Chegamos a Sergipe, na cidade de Aracaju, perto do meio-dia. Demo-nos um presente: um almoço de domingo no Miguel. A refeição feita de carne seca nos custou 60 reais. Saidos do almoço, fomos direto ao Camping Club Brasil, mas o valor estava bem acima de nossas possibilidades. Demos uma volta pela cidade e encontramos um posto BR 24 h que nos cedeu um lugar para pernoite. O posto é muito bom. Ficamos 2 dias. Para tomar banho, íamos com a Alice para a praia e lá ligávamos nosso chuveiro. Hum! Que delícia!
14/01/2012: Praia do Peba – AL
Na manhã do dia 14, nos despedimos do Sérgio e seguimos viagem, descendo sentido sul. Chegamos por volta das 15h à praia do Peba, no município de Piaçabuçu. Passamos direto, queríamos muito rever as crianças do povoado de Potengy. Fomos para lá. Retornamos no final do dia. Ficamos hospedados, como de costume, no pátio da Pousada dos Coqueiros.
Na manhã seguinte, tomamos café na pousada, e bem cedo, seguimos viagem até Sergipe.
13/01/2012: Praia do Francês – Maceió – AL
Reinventando a viagem, na rota para o Acre e na despedida do Nordeste, uma pausa na praia do Francês para rever amigos que encontramos na primeira etapa da viagem, quando fazíamos a rota do Velho Chico. Hoje, fomos tomar banho de mar, acompanhados pelo Sérgio, nosso amigo, proprietário da pousada Trilha do Mar. Sérgio surfa e a gente brinca nas ondas que se quebram rasas à beira mar.
A pousada camping, dista uns 700m da praia dos franceses. A gente acessa o mar por uma trilha de areia por dentro da restinga e dos coqueirais. Contam que no período colonial, os franceses navegavam pela costa brasileira atrás do pau-brasil. Os nativos ajudavam a cortar a madeira e embarcá-la nas caravelas. Para não serem descobertos, contam que os franceses plantavam coco no lugar donde tiravam a árvore de madeira avermelhada. Os coqueiros cresciam rápido e os portugueses não se davam conta do roubo, ou demoravam mais tempo para identificá-lo.
Andando na trilha as lembranças emergem como se um ano fosse ainda ontem que passamos por aqui. A restinga cresceu, tomou corpo. os cajurus, à beira do caminho estão todos maduros. O mar tem cor verde esverdeada, á água é límpida e transparente, feito de ondas que se quebram generosas, atraindo os surfistas.
No mar de ondas altas e espumas brancas, grandes bacias se formam, cair ali é ser puxado pela correnteza. Eu me limitei a olhar a beleza encantadora daquelas águas, igual ao casal que logo depois de mim, chegou, admirou, e ficou na beira esperando que a generosidade das ondas trouxesse um pouco mais de água para onde estávamos. Franco arriscou um pouco mais. Nossa inexperiência com o mar é  notória. E olha que um dia ainda vamos velejar! Mas até lá, a gente se limita a ficar onde a onda se espraia.
20/12: Camping Clube Brasil – Ponta do Seixas – João Pessoa
Um pouco recuperados do desarranjo intestinal, chegamos ao camping Clube Brasil, que fica localizado no Ponta do Seixas, litoral Sul de João Pessoa. Praia linda, tranquila. A Alice ficou estacionada a uns 80 metros do mar.  A brisa forte que chegava do mar deixava nossa pequena casa arejada e um lugar agradável para nos refugiar. Também aqui nos aquietamos à sombra de uma castanheira.
Depois de tudo arrumado, Franco e eu começamos a colocar a casa em ordem, a começar pela roupa suja que se acumulava em pequenas sacolas. Aproveitamos para lavar cortinas e roupa de cama e para deixar a Alice bem limpa para o Natal. Pensávamos que passaríamos as festas sozinhos. Mas camping é por si só lugar de encontro, assim como os hostels. Os viajantes logo que chegam procuram conhecer seus vizinhos e vice-versa. Cada qual tem algo para compartilhar e trocar: endereços de camping, situação das estradas, jeitos de viajar e modos de morar.
Foi aqui que conhecemos dois casais ambos vivendo num motorhome por mais de 20 anos: O Élcio e a Ângela e o Emilio, a Sandra e o Kadu. Lindos, serenos, desprendidos de tudo. Desde muito jovens esses casais abandonaram a vida agitada e o costume de trabalhar muito para ter muito e optaram por uma vida simples, viajante, de pouco trabalho e muito descanso, em contato com a natureza, um pouco distante das tecnologias. Aprendemos muito com eles. Um dia quero ser serena assim: viver um dia de cada vez…
Outros viajantes chegaram e partiram, cada qual com sua história: o Eliseu e a Socorro, curtindo a compra do seu primeiro motorhome, com planos de viver como o Élcio e o Emilio, daqui a  4 anos. A Sabrina Saito, realizando seu sonho de fazer uma viagem pelo BRasil pagando suas hospedagens com moedas guardadas em cinco anos. Sabrina viajava sozinha, com sua barraca, moedas, uma porção de camping gás, um fogareiro e muita aventura. O Guerra com um caminhão enorme, concluindo a travessia das américas e se preparando para ir a África. Nós com nosso sonho rodando o Brasil em nossa pequena casa.
Todos os dias Élcio nos visitava e isso nos fazia felizes. As trocas com Emilio e Sandra eram sempre enriquecedoras. Aproveitamos muito nossos quinze dias instalados ali e foi difícil nos despedir daquele lugar tão maravilhoso e de nossas comidinhas gostosas.
Antes de deixar João Pessoa, demos uma paradinha em Tambaba, na praia de nudismo. NU DIS MO?!!! Nossa! Sim isso mesmo. Emílio e Sandra são frequentadores e isso nos deu um coragem e para lá fomos nós. Entramos como se soubéssemos tudo. Mas tirar a roupa ai, ai! Franco foi mais corajoso, se despiu e pronto, eu fui tirando aos poucos, mas… cheguei só ao topless, achei que ia passar, mas andamos uns cem metros e lá veio o segurança: _ Moça, topless não é permitido. Olhei ao redor, um mundo de gente nua… Ele concluiu: aqui só é permitido a nudez total. Micooooo!!!! E agora, tiro ou não a parte de baixo? Não, não deu pra encarar. Vou deixar para a próxima visita a uma praia de nudismo.
19/12: João Pessoa
Num aperto completo, chegamos a João Pessoa e nos hospedamos rapidamente no Náutica Hotel. Ufa!! Que sufoco!
18/12: Bahia da Traição
Chegamos a Bahia da Traição e de lá seguimos para aldeia com intuito de fotografar o trabalho dos catadores de carangueijo. O final desta aventura pode ser lido em Roubadas.
17/12: Entrevista com a Globo em Natal
Tomamos a estrada rumo a João Pessoa, tão logo se concluiu a entrevista com a rede globo. Antes de deixar a cidade passamos no correio para postar os pacotes de presente que seguiriam viagem para a África.
13/12:Natal – RN
amanhecemos em Natal. A kombi ficou sob a sombra de uma castanheira, na praia de Ponta Negra, próxima da pousada de um amigo, encontrado pela internet. Ele nos oferecia banho, tomávamos café da manhã na pousada e dormíamos na sombra da grande árvore. Um tio cuidava atento de nossa casa-carro.
O primeiro dia usamos para conversas. No segundo, fomos ao shopping comprar roupas para as crianças de Moçambique. À tarde, arrumamos o carro. Coisa leve, o 5 S passou longe de nós.
Terceiro dia em Natal: retornamos para comprar mais algumas coisas que faltaram para o completar o pacote de Natal do Martins Donato, José e Mojão Buim. Estávamos no caixa das lojas Americanas quando comecei a sentir meu rim esquerdo doer intensamente. Cólica renal.
Adoecer na viagem tem lá suas complicações: o carro é pequeno, o espaço limitado, não se conhece médicos, nem se tem referência de hospital. Enfim, parei no hospital. A consulta: 130,00. Fui para a emergência me aplicaram buscopan na veia e no soro dramim.  Tive uma crise pós buscopan e a médica pediu que me aplicassem uma medicação mais forte, colocada dessa vez, no soro. Aos poucos a dor se aquietou. Fui levada para exames: ultrassom: 150,00; sangue e urina: R$ 50,00; tumografia: R$ 800,00.
Deixei o hospital às 20h com a sensação de que estava bem, mas o dia seguinte,  dia depois de amanhã ai, ai! Foi quase pior que o dia da crise renal. Enfim passou…
12/12: De Souza para o Seridó.
Previsão: ficar quinze dias na região. Entramos no Sertão do Rio Grande do Norte, conversando sobre os rumos da viagem. Franco falou:
_ Sabe temos só cinco meses de viagem, se eu pudesse escolher faria algo bem diferente, difícil, correria para a aventura.
Complementei:
_ Também acho que já estamos a bastante tempo no Nordeste. Poderíamos apressar nossa estadia aqui e voltar para o Norte, cruzar Goiás, chegar ao Mato Grosso e de lá acessar Rondônia e Acre. Se as estradas permitirem ousaremos ir até Manaus. O que acha?
_ Acho que temos que aliviar peso. Vamos fazer um 5 S no carro. Que tal irmos para Natal?
_ Topo.
Estava feita a mudança de rota.
Admiramos Seridó, fotografamos, mas nada de parar, estabelecer relação, pesquisar.
Chegamos a Natal no dia 12 de dezembro.
11/12: Souza
Café tomado, nos preparamos para a estrada. O destino: Souza, lugar bem mais ao sertão da Paraíba, onde foram encontradas grande número de pegadas de dinossauros reunidas num único lugar. Isto faz crer que houve um tempo em que o Sertão foi terra fértil, lugar onde os grandes dinos podiam viver em segurança.
Souza é uma cidade pequena, o museu a céu aberto parece não dar conta de movimentar o turismo. Chegamos bem cedo, o “Velho do Rio” nos acompanhou até o sítio (antigo leito do rio do peixe) onde a lama fossilizou as pegadas dos dinossauros em fuga. Obra da mãe natureza que como nós, adora escrever uma boa história.
Depois de visitar o Vale dos Dinossauros fica pouco para ver na cidade, caso sua viagem seja turística. Para nós ela teria um montão de histórias escondidas, mas decidimos não parar ali e colocamos a Alice prá rodar.
10/12: Depois de um café na lanchonete do posto, partimos em busca de um quilombo situado no municipio de Alagoa Grande.  Escolhemos seguir por um atalho. Nem sempre os caminhos mais curtos são necessariamente os melhores e mais rápidos, no nosso caso, não foi nem uma coisa e nem outra. A estrada feita de terra era estreita com curvas, aclives e declives bem acentuados. Nas laterais, erosões da época das chuvas deixavam ainda marcas feito de largos buracos laterais. Eu me segurava em todos os apoios possíveis rezando para que superássemos cada subida. A Alice acabara de sair da oficina, por ter danificado o diferencial na subida da Serra do Brejo, em Pernambuco. Ainda não estávamos confiantes na estabilidade do motor e nem sabíamos com certeza as causas de tamanho dano. Isso tornava a estrada mais longa e nós muito mais inseguros. Aliado a tudo isso, um calor de mais 35 graus. Com a kombi rodando em velocidade baixa, a ventilação é pouca e o sol penetra pelas janelas fazendo a pele arder.
Em momentos como esse é que a gente se pergunta: “Quanto vale uma boa história?”  Mas a verdade é que quando se está no caminho, voltar se torna tão mais perigoso quanto continuar. Por isso decidimos seguir em frente. Os únicos carros que passavam por nós eram as Veraneios que fazem transporte coletivo para essas regiões e caminhonetes tipo pau-de-arara, que levam crianças para a escola.
Depois de uma curva, eis que uma subida íngreme,  esburacada e apertada se deixa ver. Ela parece desafiar nosso bom senso, mexe com nosso medo, faz-nos parar.  Olhamos para trás, a vontade é de aproveitar a deixa da estrada, fazer a volta e retornar. Mas… Retornar para o quê? Até aquele momento, fizemos tantas descidas acentuadas que agora, vistas ao contrário seriam outras tantas subidas aterrorizadoras.
Franco mantém a calma, pára o carro, desce, calcula, propõe: “Inês, fica fora do carro, vou subir sozinho, a kombi fica mais leve.”  Essas justificativas todas eram para me tirar do carro. Ele queria correr o risco do carro descer de marcha-ré, escorregando por não vencer a lomba, sozinho. Eu sabia disso, mas diante da situação decidi não questionar. Desci sem câmera, eu não conseguiria filmar aquilo, aliás, nunca consigo filmar momentos difíceis, quando corremos riscos.
Franco tentou uma vez, a Alice não deu conta, veio deslizando para trás até encontrar espaço para arrancar com mais velocicade. Passaram por mim, agora com mais velocidade a kombi subiu e parou bem mais acima.
Desafio do carro superado, foi minha vez de vencer a subida a pé, em pleno sol do meio-dia. Fiz como a Alice: Puf! Puf! Cheguei que era pó e suor. Prosseguimos. Enfim no quilombo. Extenso, casa aqui, casa acolá. Para chegar a escola outra subida. E então? Vamos ou não vamos?
O cansaço e o stress da estrada foram tão grandes que não tivemos força para ficar e enfrentar os desafios de rodar dentro da própria comunidade. Desistimos. Desistir de algo depois de chegar tão perto, é como morrer na praia antes de dar o mergulho no mar.  Mas viver na estrada, exige que a gente saiba a hora de parar e tenha humildade para abdicar de um plano. Uma coisa que aprendemos nesta viagem é que as coisas mais lindas estão longe do alcance de nossas mãos, há que buscá-las como um garimpeiro procura um diamante ou um caçador de pérolas que mergulha fundo em busca do tesouro. Por isso, estradas ruins são costumeiramente nossa rota, mas há dias e momentos que é preciso desistir, deixar para outros as belezas do diamante encravado nas serras, escondido nas dunas, nas florestas, lugares onde a Alice nem sempre consegue chegar.
09/12: Lajedo do Pai Mateus
Anoitecia quando deixamos o Lajedo do Pai Mateus em direção a Campina Grande. Viajávamos um pouco frustrados, estávamos certos que a Pousada do Pai Mateus permitiria nosso pernoite. Chegamos ao lugar perto das 10h da manhã, um guia nos atendeu; foi gentil, nos levou até a recepção, telefonou para o proprietário, ficou encantado com o projeto e com nossa história. Fomos informados de que o proprietário estava vindo para a Pousada e que falaria conosco quando chegasse. Como o passeio ao lajedo seria feito após o almoço ficamos aguardando na área de descanso, aproveitamos para encomendar o almoço. As horas passavam e o proprietário não chegava. Pelas 13h a recepcionista nos avisou que ele já estava no hotel e voltou em seguida, para informar que estava fazendo a cesta.
Diante da incerteza seguimos para a fotografia do Lajedo. Ficamos até perto das 17h. Quando voltamos, Franco foi averiguar se o tal já estava disponível ou se tinha deixado alguma resposta ao nosso pedido, mas ainda uma vez ele não pode nos atender.
Decidimos então que não esperaríamos mais. Embora a hora fosse avançada não ficaríamos ali. Agradecemos a gentileza do guia, funcionamos o motor e colocamos a Alice prá rodar.
Confesso que deixamos o Lajedo um pouco tristes pelo descaso no tratamento. Quando pedimos algo fora da rotina de um lugar estamos preparados para ouvir um não. Aqui na pousada do Lajedo, não estávamos pedindo cortesia, mas sim o pernoite no estacionamento, que é um quintal amplo com árvores frondosas oferecendo sombra, além disso, estávamos dispostos a pagar por fazer do espaço como de um camping, bem embora não fôssemos usar nem chuveiro, nem eletricidade e nem água.
Enfim, as pessoas tem direito de dizer não; o que nos deixou um pouco tristes foi o fato do não, não chegar claro e transparente, mas vir pelo adiamento, enrolação, deixando uma sensação de desrespeito, descaso…
Mas o mal estar passou logo. Deixamos a pousada e nos deliciamos com a estrada  que fica muito mais linda ao anoitecer. Chegamos em Campina Grande perto das 20h, procuramos um posto e nos aconchegamos entre caminhões.
06/12: Cabaceiras
Deixamos Serra Talhada pela manhã, seguimos em direção a Paraíba, nosso destino Cabaceiras. Uma placa equivocada indicando a saída para a cidade nos fez rodar alguns bons quilômetros por uma precária estrada de chão. Na cidade, alocamos a kombi-casa em frente da polícia militar. Dormimos nesse cantinho, por três noites.  A Secretaria de turismo  nos ofereceu um pernoite na pousada Sertões, que  acabamos gentilmente por dispensar. Motivo: nosso quarto era mais quente que o corredor da pousada, o chuveiro não funcionava. Assim, pensando bem, a kombi ainda era nosso melhor espaço.
Em Cabaceiras conhecemos a cooperativa de leite de cabra. Provamos do leite, que delícia! No dia seguinte viajamos a procura do couro. Foi uma experiência impressionante conhecer os curtumes artesanais de couro, feitos à base de angico. Dia 09/12 fomos para a pousada do Pai Mateus. Pedimos para pernoitar no quintal da pousada, dentro da kombi, mas não tivemos permissão dos donos. Assim, depois de fotografar o lajedo, pelas 17h partimos para Campina Grande.
2/12:Triunfo
Em Triunfo recebemos apoio da prefeitura que nos ofereceu pousada e acompanhou nosso trabalho na cidade. Infelizmente a Alice quebrou, tivemos uma pane no diferencial provocado por uma suposta junta colocada no fechamento da caixa de câmbio, quando dias antes, consertamos uma falha na segunda marcha, do carro. O preju foi grande, mas o importante é que a Alice ficou bem. Tivemos todo apoio do nosso amigo Álvaro e do Ivaldo.
1/12: Hoje a noite sairá matéria na globo, jornal local. Estamos aguardando pelo Álvaro para seguir viagem até Triunfo (cidade na divisa de Paraíba). De lá entraremos para a Paraíba e faremos o sertão paraibano junto com a região do Serigado, no Rio Grande do Norte.
25/11:Serra Talhada
Chegamos em Serra Talhada. Recebemos apoio de um amigo e fotógrafo Álvaro Severo, proprietário da fazenda na Serra Grande, onde houve o maior combate do cangaço. Ficamos três dias na cidade e dois na fazenda do Álvaro. Lá tivemos novo contato com vaqueiros: Seu João Bão, Jura Bão e seu Luiz, mestre de conhecimentos na caatinga.
A globo nos entrevistou e hoje a noite sairá uma matéria local sobre a gente.
19/11: Salgueiro
Seguimos viagem para Salgueiro, antes demos uma breve parada em SErrita. Em Salgueiro também contamos com apoio da Secretaria de Cultura. Ficamos 05 dias na cidade conhecendo sua cultura e entrevistando seus mestres. Aqui feri o olho com espinho de jurema. Fiquei três dias de tampão.
11/11: Remanso
Fomos nos aproximando do São FRancisco. Chegamos ao manso Remanso. Pernoitamos numa pousada e seguimos viagem. Depois veio Petrolina, Juazeiro… Ficamos vários dias por aqui, em função de um projeto que aguardava nossa resposta. Seguimos viagem depois de cinco dias. Em Petrolina ficamos alojados no posto Raul Lins. O pessoal foi bem bacana.
09/11: São Raimundo Nonato
Chegamos a Raimundo Nonato. Ficamos hospedados na pousada Capivara, no Sítio do Mocó. Dia seguinte percorremos, acompanhados por um guia, o parque Nacional da Capivara, fotografamos formações rochosas lindíssimas e vimos bem de pertinho, a história da origem do homem americano desenhado como um quadrinho nas paredes dos rochedos da Serra.
08/11: São João do Piaui
Entramos no Piauí. Estrada ruim. A BR 235 desafio nossa capacidade de dirigir entre buracos, mas saimos dela, Chegando a S. João do Piaui, viajamos para Riacho dos negros. Ficamos dois dias com a comunidade.
04/11 a 07/11: Assaré: Permanecemos em Assaré. Recebemos apoio da Secretaria de Cultura. Em Assaré conhecemos o memorial a Patativa do Assaré, um dos maiores poetas populares brasileiros. Acompanhados de sua neta, viajamos pela Serra de Santana, para visitar a fazenda onde o poeta viveu e escreveu muitos dos seus versos. Saimos da cidade até o vilarejo de Nazaré onde um grupo de homens ainda mantém viva a prática da penitência. Aqui dormimos deliciosamente, curtindo o breu da noite sem luar. Depois, conhecemos alguns mestres da cultura popular, entre eles entrevistamos Dona Zenilda, mestre da culinária, que prepara uma deliciosa linguiça de porco. Grande mulher Dona Zenilda! Aqui provamos a comida, sentados no balcão do box, mercado público e gastamos horas em prosa. Valeu. Obrigada a prefeitura de Assaré pelo apoio ao Projeto Histórias de Alice.
04/11/2011: Visitamos Espedito Seleiro e seguimos viagem para Assaré.
03/11/2011: Seguimos Viagem para Nova Olinda, visitamos a Fundação CAsa Grande.
02/11/2011: Recebemos a visita do Thiago Santana, que veio à subprefeitura para conhecer a Alice.
27/10/2011: Visitamos a Chapada do Araripe em companhia do Titus, estivemos no museu de palenteologia, nas mineradosas e na casa do Françuli, o inventor do sertão.
24/10/2011: Nossa estada em Juazeiro foi bastante agradável. A Alice ficou alojada no pátio da subprefeitura de Juazeiro. Viemos para a Romaria. A cidade estava cheia. Encontramos velhos e bons amigos de fotografia: Titus Riedi, Thiago Santana, Walter Firmo, Gui Veloso. E fizemos novos amigos. Foram dias intensos fotografando a fé que move um povo.
23/10/2011- Viajamos para Juazeiro do Norte.
22/10/2011 – Deixamos Mombaça, seguimos para Iguatu e de lá para Várzea Alegre. Tomamos um sorvete na casa da Angelita e nos recolhemos na pousada do posto. Descansamos o resto da tarde de domingo.
21/10/2011 - Era noitinha quando chegamos em Mombaça. A cidade se esncondia atrás de uma luz linda, os casarios bem conservados, os bares abertos com mesas para fora, a convidar o homens para o encontro do fim de tarde. Encontro que na urbanidade se deslocou dos alpendres das casas, para as mesas do bar. Passamos por ela, sem parar, pegamos a saída para Iguatu e dormimos num posto de combustível.
20/10/2011 – Deixamos Choró, passamos por Quixeramobim, onde nasceu Antonio Conselheiro. Pernoitamos no Hotel Veredas do Sertão, por R$ 80,00 a diária. Fizemos uma comprinha básica, almoçamos na lanchonete do mercado e seguimos viagem.
17/10/2011 – Choró
Depois de descer a Serra Negra, seguimos viagem para Choró, em busca de fotografar e conhecer mais de perto o drama das pessoas que buscam água longe de suas casas e as carregam na cabeça ou no lombo de jumentos.
Logo na chegada, paramos para fotografar um senhor que recolhia um jumento, quando conhecemos o Zé Roberto, rapaz que trabalha na secretaria municipal da agricultura. Ele nos ofereceu hospedagem em sua casa. Ficamos 3 noites alojados no quintal de sua casa, convivendo bem de pertinho com sua família.
Na manhã do dia seguinte fomos acompanhar seo Cosme na costumeira rotina de buscar água todos os dias, no açude.
Nos dias que se seguiram fizemos a experiencia mais marcante de nossa estada em Choró, a visita a comunidade do Cafundó. Ao Zé Roberto nosso grande e grande abraço pela hospitalidade, amizade e por colaborar com nosso trabalho. Abraços!
14/10/2011 – Quixadá
Deixamos Morro Branco antes que a tarde terminasse e seguimos para o sertão central, chegamos perto das 19h, em Quixadá. Guardas de trânsito nos sugeriram hospedagem no Hotel das Artes, já na saída da cidade. Procuramos o posto, cujo hotel fica logo atrás, eles nos permitiram ficar ali e o pessoal do hotel gentilmente nos cedeu o pátio amplo de seu estacionamento com árvores frondosas, banheiro e água gelada. Ficamos 3 dias na cidade visitando seus pontos interessantes: Açude do Cedro, reservatório de água construído no reinado de D. Pedro II.  A serra do Estevão, onde fica o convento das Irmãs Franciscanas e tem uma casa de hospedagem, a Serra Negra onde fica o santuário de Maria Imaculada, Rainha do Sertão.
14/10/2011 – Morro Branco
Acordamos de manhã bem cedo, dormimos pouco, o  guarda do posto onde nos hospedamos bateu em nossa janela, às 5 da matina. Deixamos o posto depois de uma rápida higiene e fomos para beira mar, tomar um café e nos preparar para a viagem. Sempre que dormimos mal, o dia acaba sendo pouco produtivo e este estava para ser assim, mas o clima suave da beira mar foi apaziguando o cansaço e tudo correu bem.
Depois de um bom café seguimos para morro branco. As praias do Ceará tem algo de selvagem que as deixa lindas, simplesmente lindas. Lá na barraca da dona Diva, tomamos água de coco e ela nos acompanhou em um passeio a pé até o labirinto das falésias, um monumento de areias coloridas de rara beleza. Caminhando pelo labirinto de areia, me lembrei do Vale de la muerte, do deserto de atacama. A diferença entre um e outro é que em Morro Branco o mar desenha a areia.
12/10/11 – dia de Nossa Senhora Aparecida e dia das crianças do Brasil
Chegamos a Fortaleza, capital do Ceará, terra de Iracema. Iracema é um hino à beleza da mulher brasileira, uma homenagem às mulheres indigenas do Brasil.
Oxalá, elas se saibam belas e sejam conhecedoras da força que trazem dentro de si.
Dormimos três noites em Fortaleza: a primeira numa pousada, a segunda num posto distante 18 quilômetros da cidade, que um parque fechado com ambiente próprio e restrito para caminhoneiros, paga-se 13,00 o pernoite. No último dia, escolhemos dormir num posto dentro da cidade. Foi bom e ruim. A noite foi barulhenta, curta e mal dormida.
08/10/11 – Domingo – Em Jijoca de Jeri
Na despedida da casa do Veinho e da Dona Mariinha, Airton nos indicou a pousada camping do Tião, na Lagoa Paraíso, em Jijoca de Jeri. Chegamos e fomos ficando. A Pousada é linda  feita de pequenos chalés, para motorhomes existe um cajual gigante que oferece sombra, churrasqueira, tomada e água. Mais adiante, está a barraca do Tião, bem na beira da Lagoa do Paraíso, que convenhamos, é de fato, um paraíso feito de águas doces e transparentes. Na beira da lagoa, mesas, quiosques de palha e a adorável rede cearense. Quem resiste? É cair e ficar!
Além disso tudo, o Tião é nativo, cortês e gentil com seus hóspedes. Para nós torrou castanhas e nos deixou viver a dificuldade de quebrá-la e a delícia de saboreá-la quentinha acompanhada de uma cerveja bem gelada.
Ficamos três noites, no camping do Tião. Uma das gostosuras da viagem da Alice.
07/10/11- sábado
Deixamos Camocim, a pousada Vitória, em direção a Tatajuba. Ficaremos hospedados em Lago Grande (na casa da Dona Mariinha e do Seo Veinho), de onde seguiremos de Buggy para Tatajuba, um apoio amigo do Airton, dono da pousada Vitória, em Camocim, no Ceará. De lá, provavelmente, amanhã, seguiremos para Jijoca de Jericoacoara.
A viagem anda dolorida nesta etapa, apesar das belezas da paisagem.
29 de setembro  de 2011 –
Deixamos Barra Grande, Litoral do Piauí, lugar onde ficamos três dias, hospedados no Hotel Pousada do Muálem.
Toda cidade se mostra desconhecida no primeiro momento. Também nós lhe parecemos exóticos, estranhos visitantes, rodando numa kombi adesivada que lembra teatro, circo etc. Não fosse isso suficiente, ainda procuramos pousadas e amigos que apoiem o projeto.
Este primeiro momento de estranheza coloca-nos sempre diante de algumas experiências:
Uma delas é o encontro com pessoas para as quais nos mostramos um problema. Elas olham para a gente e pensam: PRO-BLE-MA! Olhando assim, tratam logo de nos dispensar, tipo criança brincando de segurar uma batata quente.
Outros, para quem estatus e posição social são coisas muito importantes, olham para a gente com um jeito… Seus olhos parecem dizer: coitados, viajam com uma kombi! Que vida de privação! Que falta de conforto!
Mas para nossa sorte, há aqueles que olham para Histórias de Alice como ele realmente é. Admiram a iniciativa, curtem a viagem e se integram ao projeto como se fossem parte dele. Integram o Projeto lá onde o encontram. São essas pessoas que viajam conosco, a nos contar como é o lugar onde vivem, compartilham belezas, riquezas e histórias. Poderíamos chamar a essas pessoas de alimentadores culturais da Alice. Onde quer que cheguemos lá estão eles, quase à nossa espera. Vou mencioná-los aqui.

Flávia – Secretária de Cultura da prefeitura de Aguaí. Quando éramos só um sonho pensado, intenção divulgada na internet, ela nos encontrou e pediu que queria que sua cidade estivesse incluída na rota da Alice. Aguaí, no Estado de São Paulo, foi a primeira cidade visitada pelo Projeto.
Desemboque, MG: Chegamos num dia de domingo, bem na hora do almoço. Pouca experiência em rodar com kombi, nenhuma off-roader. Para chegar ao lugar precisa-se das duas, especialmente se sua moradia é uma kombi com rodas. Desemboque é pequeno lugar, bem na Serra da Canastra. Antes, fora grande, terra de ouro, muito ouro, berço do triângulo mineiro, terra do ator Lima Duarte. Mas hoje desemboque é um povoado feito de uma Igreja, uma venda, uma escola e umas cinco casas. Chegamos em busca de uma história. Chegamos e fomos acolhidos pelo Seo Paulo (que nos cedeu uma casa pequenina), Seo Estevão (Nene Garimpeiro) e as gentes do povoado todo, com quem trocávamos horas e horas de prosa.
Em São Roque de Minas fomos hospedados na Pousada Canastra; Depois veio Vargem Bonita com a Aline (responsável pelo Crás), o Edinho, a D. Luzia do Tazo, seo Brechó e outros amigos tantos. Ficamos dez dias na cidade.
Relação a continuar…
16 de julho de 2011 – Sábado
22h da noite, sofri um atropelamento de moto em Serra Pelada. A segunda etapa de nossa viagem foi marcada desde o princípio por proximidades de catástrofes. Em fevereiro fomos surpreendidos pela enchente que devastou a cidade de S. Lourenço do Sul, no Rio Grande.
Segunda etapa da viagem
Junho de 2011 – Nossa experiência pelo Jalapão
Postado em post na página
Abril – 04/04
Deixamos Curitiba, almoçamos em Campo Largo. Que delícia essa polenta com linguiça!
Às 17h30 chegamos a Irati, para encontrar o Roberto, nosso contato primeiro para chegarmos aos faxinais. Dormimos em Irati.
Na manhã seguinte viemos para Guarapuava num encontro com líderes de comunidades tradicionais, entre elas os faxinais. Estamos a dois dias aqui. Praticamente descansando, porque a reunião é em pequenos grupos.
Hoje, depois do almoço viajaremos até Pinhão, vamos nos hospedar num faxinal e também conhecer a história e a cultura do lugar.
Estamos ansiosos, ainda não sabemos que realidade nos aguarda. Será que teremos fotografia? Vai chover? Encontraremos uma veia capaz de nos mostrar a tradição dentro dos faxinais?
Tantas perguntas só terão resposta quando chegarmos à comunidade. Numa coisa acreditamos: Nada nessa estrada acontece por acaso.
Abril – 03/04
Hoje, logo que amanhecer o dia, deixaremos Curitiba e a casa das irmãs apóstolas, onde fomos muito bem recebidos e partiremos para Irati, nossa intenção é conhecer os faxinais e trabalhar ali uma oficina de fotografia.
Abril –  Encontro com amigos – a Re-flexão
A palavra reflexão traz a idéia de que você deve se inclinar sobre algo mais de uma vez, flexionar-se sobre ele e reflexionar. Foi assim ao encontrarmos com amigos que nos acompanham pelo blog ou que viajam como nós.
Aprendemos que viajar assim como fazemos é um estilo de vida. Quem põe o pé na estrada, vai colocá-lo sempre. Algumas pessoas viajam com a vida mais feita: estão aposentados, ou têm um grande capital que lhes permite viajar. Outros trabalham enquanto viajam: deixaram tudo pela paixão da estrada e não pretendem retornar antes de 10 anos. Vendem artesanato. Nós nos encaixamos neste grupo, só que ao invés de fazer artesanato escrevemos, alimentamos blog.
Aprendemos que somos da estrada e nascemos para o caminho, para a viagem.
Os amigos de antes e de sempre, riram de nossas histórias e nos mostraram que não importa quão difícil seja a estrada, não viajamos para nós, viajamos para os que não viajam e por isso não existem desculpas para histórias não contadas no blog, não postadas no facebook etc. Não há desculpas, por que nem todos viajam por um Brasil profundo.
Fevereiro e Março - O Difícil Recomeço
A segunda etapa da viagem foi marcada pela chuva e pelos desafios de recomeçá-la na região sul. Nosso planejamento inicial não previa um retorno para o sul o sudeste assim que terminássemos o São Francisco.
Mas, doenças em minha família, exigiram que retomássemos o caminho de volta. Ficamos sessenta dias numa pequena cidade no oeste do Paraná, revendo os materiais de viagem enquanto revíamos o planejamento de viagem: rota, tempo de parada em cada cidade. A segunda etapa da viagem nos traria outros desafios… Viajar com chuva, viver o projeto na chuva.
Precisamos de um tempo para aprender que a chuva era também nossa aliada. Antes de aprender isso  fizemos caminhos ligeiros.
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Como sobrevivemos à enchente de S. Lourenço do Sul
IMG_7330A segunda etapa de nossa viagem começou no dia 16 de fevereiro de 2010. Partimos de Goioerê, no Estado do Paraná, cidade onde vivem meu pai e irmãs.  Estivemos parados por sessenta dias, preparando a Alice para mais uma jornada.IMG_7062
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O que define uma viagem é a possibilidade de mudar a rota. Isso tem sido uma constante conosco. Desde o começo tínhamos no proposto a escutar os sinais e convites que a estrada no fizesse. Assim: depois de cumprir a primeira etapa que foi viajar pelo S. Francisco, voltamos para retomar a viagem pelo sul do Brasil. Pensávamos em passar o período mais chuvoso em terras sulinas: teríamos chuvas, mas as estradas nos permitiriam um melhor deslocamento.
Pensando assim, saímos pelo oeste do Paraná, buscando o oeste do Rio Grande do Sul. Tudo estava muito bem, até que chegamos ao Sul do Estado com intenção de descer até o Chuí. Dia 09 de março, dormíamos em São Lourenço do Sul, no Iate clube, ao lado de outros motor homes, quando fomos surpreendidos pelo turbilhão de águas que carregava casas, barcos e trailers para dentro do arroio.
Num primeiro momento, o pânico foi total. Estávamos isolados. Tentamos cortar a cerca que nos separava do camping municipal, depois procuramos um local mais alto onde deixar a Alice. Enquanto nos movimentávamos, a água subia rápido em direção a nós.
Foi quando o Franco teve a ideia de encaixar a Alice entre 4 árvores. Como sempre carregamos conosco cordas de segurança, amarramos a Kombi em 4 lados. Para isso nos servimos de uma fita que usamos para reboque, cordas de paraquedas e cordas de montanhismo.IMG_8974
Depois de amarrado o carro, em movimentos ligeiros transferimos para o bagageiro superior os arquivos fotográficos e coletas de histórias feitos ao longo da viagem. Isso era tudo o que podíamos fazer. De resto era esperar a chegada do pior.
Creiam-me, a água parou de subir  30 metros antes de atingir a Alice. Nesse dia caímos de joelhos e agradecemos.IMG_9017

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Piranhas

Ainda respirávamos as histórias de Lampião e Maria Bonita quando deixamos Paulo Afonso em direção a Piranhas. Anda-se pouco pela rodovia e logo se avista a placa de divisa entre os Estados da Bahia e Alagoas.

Piranhas é uma cidade histórica encantadora com casarios pintados e os prédios bem conservados. Fica bem na beira do São Francisco. Foi desta cidade que saiu a Volante responsável pela morte de Lampião e do seu bando e foi também a primeira cidade a receber as cabeças decapitadas dos cangaceiros.

Chegamos na cidade era domingo à tarde. A cidade começava a se calar do intenso movimento turistico. Como sempre não tínhamos onde ficar, fomos até a pousada e lá negociamos o banho.

Nessa etapa da viagem, um dos limites da Alice é o banheiro. Apesar de termos chuveiro instalado na traseira externa do veículo, fica difícil tomarmos banho  público quando estamos na cidade. Aqui em Piranhas esse é um problema menor, porque temos o São Francisco bem pertinho. Com o calor que faz por aqui, um mergulho nas águas do velho rio é sempre revigorante.

Manhã seguinte: procuramos pelo Secretário de Cultura que nos deu todo apoio. Recebemos barco, guia e carro para rodar pelas redondezas.

Em Piranhas vivemos momentos intensos, um deles foi a entrevista com Elias Marques Alencar, policial da Volante que esteve presente na morte do rei do cangaço. O Sr. Elias faleceu meses depois de nossa visita, no dia 09 de fevereiro de 2011, aos 96 anos de idade.

Paulo Afonso

Anoitecia quando chegamos a Paulo Afonso. Dormimos num camping do Iate Clube. Na manhã seguinte procuramos a Secretaria de Cultura. Fomos muito bem recebidos pelo Secretário de Cultura, que já nos conhecia de publicações feitas na Folha de São Paulo, que além de arrumar nossa agenda, nos ofereceu carro e hospedagem num dos hoteis da cidade.

Nos dois primeiros dias em Paulo Afonso, dedicamos para um  tur na cidade e na Hidrelétrica de Paulo Afonso. Nos dias seguintes, fomos acompanhados pelo João e fizemos uma viagem pelas trilhas de Lampião.

Fomos felizes em Paulo Afonso, na Bahia.

De Canudos a Cabrobó

Deixamos Canudos com intuito de retomar o São Francisco. Viemos por dentro, chegamos a Cabrobó. Fazia um calor insuportável e eu estava bem mal, creio que minha pressão tenha caído. Almoçamos na cidade e seguimos viagem. No caminho encontramos um canteiro de transposição do Velho Chico.

Paramos para algumas fotos e seguimos viagem.

Passamos por Petrolândia, mas não entramos, fomos direto para PAulo Afonso.

De Paulo Afonso fomos para Piranhas. De Piranhas para Pão de Açucar, Arapiraca e Maceio.

De Maceió para Sergipe

De Sergipe para a foz do Velho Chico

De Canudos para Canudos Velho: CAnudos velho é uma volta na história, as pequenas casas, a estrutura da cidade parece as cruzes brancas homenageando os mortos na guerra, parece emergir Canudos. Acolhimento, simplicidade e alegria marca o povo dessa pequena cidade.

Ficamos aqui um dia e uma noite, depois seguimos viagem.

Foi em cAnudos velho que o ar refrigerado da kombi deu mostras de cansaço e vazou toda a água. Demoramos 4 horas para conseguir abrir a tampa encalhada embaixo do bagageiro. Por fim, nem fotografei a cidade.

Franco fez fotos lindas. À noite, contei uma história e brinquei de balança caixão com as crianças.

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Canudos – Sertão da Bahia – 01 a 08 de novembro

Nossa viagem até Canudos:

Da Chapada Diamantina para Ruy Barbosa. De Ruy Barbosa para Feira de SAntana. De Feira de Santana para Euclides da Cunha. De Euclides da Cunha para Monte Santo. De Monte SAnto para Canudos.

Hospedagem:  Pousada por-do-sol, ou pousada da Jovelina.

Boa comida: Cantinho do Raso.

O que visitar:

A cidade e sua gente. O parque Estadual de Canudos; o Memorial a Antonio Conselheiro, o Memorial popular de Canudos.

A praia do açude Cocorobó; Canudos velho.

Para turismo rural: a fazenda Calderão.

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Barra do Gaicui – setembro de 2010

Ficamos 4 dias por aqui. Foi uma delícia! Todos os dias comíamos peixe fresco assado.

Fomos gentilmente acolhidos no camping de pesca do Getúlio.

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09 de setembro

Saímos de Montes Claros logo depois do café da manhã, 13h já estávamos em Pirapora. A estrada que liga Pirapora a Montes Claros é muito bonita. Paramos para comprar uvas.

Em Pirapora, demos uma voltinha na cidade e fomos direto para a beira rio. Local onde fica a marinha, a colônia de pescadores, onde permanece ancorado o Vapor Benajamim Guimarães, para depois procurar apoio na Marinha, cujo quartel situa-se na beira rio e na frente havia um local perfeito para acamparmos. Fomos bem recebidos pelos oficiais, mas seria inviável montar acampamento ali. Eles prometeram dar uma olhadinha na Alice, caso estivéssemos na Beira rio.

A proposta nos agradou e, tranquilos continuamos nosso passeio. Fomos conhecer Buritizeiro, cidade conexa a Pirapora. Pequena, simples, Buritizeiro fica na outra margem do São Francisco e tem veredas lindas de doer. O sol queimava sem dó.

Ainda tínhamos Guimarães Rosa vivo na lembrança, como que marcando cada pedaço da viagem. Foi então que avistamos uma vereda seca com buritis queimados. “Grandes sertões: veredas secas”, parafraseamos Guimarães Rosa. A partir dali, procuramos registrar por fotografia as veredas secas que encontramos no sertão. E olha que elas são muitas.

Ficamos na Alice, sem lugar, um dia aqui, outro acolá. Para dormir estacionávamos o carro na frente da polícia militar. Tomávamos café numa padaria próxima e saímos desesperados atrás de um banheiro para a higiene matinal.

No horário do almoço, íamos para a sombra dos eucaliptais, arrumávamos a mesa, cadeira e rede, e a Inês preparava uma massa Fugini de 3 min. O banho era feito de diferentes jeitos: usando o chuveiro da kombi, no rio São Drancisco, ou nas duchas.

A noite saíamos para comer algo. Às sextas-feiras tem uma feirinha gastronômica especial, em Pirapora.

De Pirapora seguimos para Barra do Guaicui, em busca de pescadores.

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Setembro de 2010

De Berilo retornamos para Araçuai para então pegar a BR que nos levaria para Montes Claros. Chegamos a tempo de comer uma pizza, mas ficaríamos sem banho, pois no posto não havia infraestrutura e como chegamos tarde, não fomos até o Quigemm, nosso antigo local de hospedagem.

Amanheceu o dia e saimos rapidamente para a estrada, toda ela bonita e rápida. No caminho observávamos as mudanças de paisagem. Havíamos deixado o Vale do Jequitinhonha e nosso coração já ardia em saudades.

Antes de entrar em Montes Claros, vimos uma placa de hotel fazenda e decidimos entrar para pedir um espaço para acamparmos. O Hotel muito charmoso, nos acolheu ao preço de R$ 20,00 para permanecermos na kombi com direito a banho e café da manhã. Pensamos em descansar alguns dias ali, pela beleza do espaço, mas logo nos sentimos sem liberdade, para qualquer movimento nosso era necessário uma licença especial. Assim, resolvemos deixar Montes Claros brevemente, até porque, não tínhamos previsto nenhum trabalho na cidade.

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Itinga, 18 de agosto

De Araçuai fomos para Itinga, terra do Jô, do Ulisses…

Chegamos por volta das 15h, mas não conseguimos um lugarzinho aconchegante pra ficar. O pessoal da Amae nos ofereceu banho e fogão pra preparar um café, mas optamos por dormir na praça e tomar banho na pousada. Dia seguinte fomos conhecer o Ulisses e depois do almoço nos encontramos novamente com o Jô, nos despedimos e seguimos viagem para Pasmado.

Franco, por alguma razão que desconheço, não quis parar em Itinga. Terra linda, feita de gente que luta, cheia de histórias, organizada. Seguir viagem foi lamentável. Mas enfim, partimos. Estar numa viagem como a nossa, de vez em quando temos que parar fotografia e pesquisa para dar lugar ao cuidado um do outro e nesse momento a estrada parecia ser o melhor caminho.

O calor era intenso dentro da kombi, mas logo chegamos a Pasmadinho, um lugar pequenino, feito de casinhas simples, terra de sua gente, sem tecnologia, terra dos artesãos do Vale. Beira rio. Aqui encontramos as crianças brincando livremente dentro da água. Fotografamos muito. Na volta eu quis fazer uma contação de história e à noite um cinema. Tínhamos espaço pra ficar, mas não havíamos feito contato com ninguém.

O medo é uma arma de segurança que nem sempre ajuda. Estamos a três meses de viagem e ainda não nos desvestimos dos conceitos incutidos em nós pelos noticiários televisivos , pelos filmes etc., etc. O conhecimento da realidade feito pelo medo impede de ver a beleza, a inocência, o acolhimento.

Seguimos viagem, viagem, viagem, a partir de então foram caminhos rápidos. Eu não conseguia mais fotografar, o tempo todo queria voltar, não podia entender aquele nosso jeito de viajar.

Mas enfim… fomos até Belmonte. Na volta  paramos em Itaobim. Acho que o Franco queria fazer uma espécie de sufrágio pela rápida passagem por Itinga e Pasmado, mas nossos ânimos na kombi permaneciam quentes.

Num misto de tensão e busca de equilíbrio seguimos viagem para Minas Novas. Paramos em Turmalina. Franco estava mais tranquilo porque ele queria fotografar fornos de carvão e estávamos indo em busca deles.

Para nossa surpresa, não encontramos fornos de carvão, mas uma comunidade inteira sofrendo a falta de água e a opressão das grandes empresas produtoras de carvão. Ficamos por aqui uns 10 dias. Franco se envolveu muito com os problemas da comunidade, tive impressão de presenciar uma mudança, feita aos poucos (tipo diários de motocicleta…).

Viajamos para Chapada do Norte, alugamos o quarto numa pousada. A cidade era fotográfica, Franco queria ficar nela. permanecemos 3 dias. Fomos para Berilo, nossa pior experiencia na estrada. Roubada.

De lá viemos para Montes Claros, Pirapora, Barra do Guaicui, São Romão e agora Januária.

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Agosto, 11 de agosto

Deixamos Diamantina, no Alto jequitinhonha e descemos para Araçuai. Foram 260 km, com 40 kilômetros de estrada de chão, que pareceram uma eternidade.

Carregávamos muita expectativa nessa viagem, que, à medida que,  avançavamos iam se amenizando feito paisagem na seca, adormecidas ao calor do sol intenso.

Estávamos perto de Turmalina, paramos para abastecer. O posto é grande e tem infraestrutura. O pessoal, logo foi nos dando dicas de onde encontrar artesanatos e produção de carvão, mas nosso destino era Araçuai, tínhamos um contato lá, esperando por nós.

Depois de uma viagem cansativa (com a kombi, rodando a 60, 70 Km/hora, os 280 km pareceram uma eternidade), chegamos a Araçuaí, mas nosso contato, tinha desistido de nós. Não tínhamos mais onde ficar. Fomos para a Secretária de Educação, mas, pelo avançado da hora, já não conseguiram mais nos ajudar. Jeito foi ir para o posto de gasolina e dormir ali, com banho feito a lenço de papel umedecido.

Dia seguinte tínhamos de retornar à Secretaria de Educação para combinar os trabalhos de oficina de fotografia e cinema, mas… Nos vimos livres e decidimos antes de retornar para a educação, explorar a cidade por nós mesmos.

Acordamos. Higiene feita no posto. Negociamos com o proprietário para deixar a Alice ali por mais um pouco de tempo, e saímos para procurar um café da manhã. Fomos a uma padaria. Hum… não. Descemos para dentro do centro, caminhando, vendo lojas e conversando com pessoas que foram nos sugerindo onde ir e contando um bocadinho sobre a cidade.

Enfim, chegamos a padaria. Estava um pouco frio e um chocolate quente desceria bem. Fizemos esta opção. Mas o café não agradou o Franco. Coisas de homem (risos).

De volta fomos conhecer D. Josefa, artesã conhecida do Vale. Pessoinha incrível. Esbelta e linda. Como sua casa e sua obra. Como acontece como todo artista, há dias que você quer tomar distância de sua obra. Franco e eu estávamos assim: cansados, querendo deixar tudo prá depois. Viver na Alice, sem casa, sem banho, sem lugar de ficar deixa a gente querendo fugir de tudo, enquanto se ganha o mundo. Mas enfim, por algum motivo não explicito a nossa consciência, não quisemos fotografar a Josefa, combinamos de retornar um outro dia.

Na casa do Artesão nos indicaram o Quiggem. Fomos para lá. O Quiggem fica no bairro Alto SAntuário, bairro pobre, feito de gente simples moradores da beira do rio Araçuaí. Chegamos depois de um sobe e desce. Portões do Quigemm estavam fechados, Lucão veio nos receber e logo foi pedindo para ficarmos ali. Franco e seus cuidados de segurança, foi ficando nervoso, achando que era risco demais ficar por ali. Mas logo veio Marquinhos, Ademir e… Adoramos o Quigemm.

Todas as tardes íamos para a beira do rio fotografar lavadeiras, canoeiros, gente tão bonita que vive a vida com tão pouco. As crianças corriam para a câmera. Eu adorava ir na rua do bairro para encontrá-las. Num dia levei todos os livros de história infantil que carregava comigo. Foi a experiência mais linda da viagem… Fiquei sem livros. Estamos juntando uma graninha pra comprar outros. Deveríamos carregar uma kombi de livros para presentear as crianças desse Brasil de meu Deus.

Em Araçuai conhecemos os Baús (comunidade quilombola), o povo Pataxó e Pankararus da aldeia vermelha, artesões e pescadores.

Numa tarde, no Quigemm, eu estava editando um vídeo para os Baús, dentro da Alice, o Franco tinha saído pra comprar um pãozinho, quando, de repente, comecei a ouvir um vozerio incomum, muito movimento ao redor da kombi (estacionada no pátio de uma residência). Passado alguns minutos da tensão externa sentida por mim, lá dentro, ouvi o Franco gritar:

“Amor, cuidado! Não saia da kombi.” Assustada, fui ver o que estava acontecendo e ele gritou novamente. “Minha esposa está dentro dessa kombi.”  Em segundos que pareceram uma eternidade, ele chegou ao carro. A polícia fez uma ação no bairro, a procura de um traficante, que estava morando em casa vizinha nossa. Foi um susto! Ufa! Ocorrido nas vésperas de nossa partida de Araçuaí. Neste fim de dia, eu ainda precisava levar o vídeo para os baús. Emoção, susto… Acabamos a noite em pizza, na companhia do Lucão.

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Diamantina, de 02 a 08 de agosto

Dia 02 saímos cedo para um tour na cidade e visita a Secretaria de turismo. Acabamos nos empolgando e passeando pela cidade o dia todo. Pensávamos em seguir viagem logo, adentrando mais o Vale do Jequitinhonha, uma vez que aqui já é o Jequitinhonha. Mas quando retornamos para o camping o pessoal já tinha feito contato com o Erich, professor de história que se propos a nos levar no dia seguinte para um encontro com os alunos de sua escola.

Convite aceito. O encontro com os alunos foi emocionante.

Dia seguinte foi dia de visitar o bairro da Chica da Silva e conhecer moradores antigos do bairro. A experiencia foi linda.

Dia 04 – Visitamos Curralinhos acompanhados pelo Caô e pelo Jackson, dois garotos lindos, do bairro Chica da Silva. Neste dia o Erich nos apresentou também o professor Wellington, coordenador de Humanas da Universidade do Vale do Jequitinhonha e à noite conhecemos sua esposa, a Tamara, que trabalha lá em Araçuaí. Casal fantástico este. Ficamos de nos encontrar no dia seguinte, mas o cansaço nos venceu.

Sábado, dia de garimpo. O Erich nos levou para conhecer uma área de garimpo, local antigo, que remonta ainda a época da escravidão. Andamos muito e vimos também muita coisa linda. É inexplicável a sensação que temos quando chegamos em lugares assim, a idéia que dá é que estamos pisando uma terra sagrada.

Domingo, ontem foi dia de conhecer São Gonçalo do Rio Preto (comumente chamado de São Gonçalo do Rio de Baixo). Passamos pertinho do Jequitinhonha e assistimos um ensaio da Marujada que se prepara para a festa de Nossa Senhora do Rosário e São Gonçalo, no dia 14 de agosto. Gente linda, encontro gostoso. Entrevistamos e fotografamos.

Na volta paramos em Mendana, cidade pequenina, lugar antigo de garimpo. Lá conhecemos uma Doninha de 107 anos, Dona Luzia. E conhecemos o Seu Lourenço tocador de viola. Meu Deus, quantas histórias esse homem nos deu.

Agradecemos a Deus por esta experiência tão linda.

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Cordisburgo, 1 de agosto

Hoje deixaremos Cordisburgo para seguir viagem. Temos dois destinos: Andrecsé ou Diamantina. No caminho decidimos: Vamos para Diamantina.

Até Curvelo viemos por um atalho, estrada de chão. A Alice sofreu um bocado por causa das costelinhas em todo o percurso. De Curvelo para Diamantina seguimos por asfalto. Estrada linda, paisagens estupendas!

Chegamos a Diamantina perto das 17h sem nenhum contato. Localizamos o centro histórico e o centro de apoio ao turista. Lá a jovem que nos recebeu foi especialmente graciosa, e nos colocou em contato com a secretária de turismo e cultura que foi atenciosa, mas naquela noite não tinha como encontrar um lugar onde deixarmos a Alice. Combinamos que dormiríamos no posto e no dia seguinte iríamos até a Secretaria.

Quando desliguei o telefone, a jovem se lembrou de um camping dentro da cidade, não muito longe do centro. Conversamos com o Anderson por telefone e lá fomos nós.

No caminho, a Alice deu sinais de cansaço: acendeu a luz do radiador. Paramos e por uma hora esperamos para verificar o nível da água. Situação complicada quando temos que mexer com a Alice, é necessário desmontar o bagageiro, etc., etc., Enfim no camping.

Casa Branca, 27 de julho

Hoje foi dia de nossa saída de Casa Branca. Coração apertado. Ontem a noite a Vitória, netinha da Leusa e do Ulisses (caseiros do sítio) chorou muito. Franco e eu também sofremos. Enfim, vamos pegar a estrada. Destino: Contagem, e lá os Arthuros (comunidade quilombola reconhecida como ponto de cultura).

Enquanto viajávamos a pergunta que nos fazíamos era: será que seremos recebido pelos Arthuros? Franco achava que não e eu tentava ter alguma esperança.

Chegamos na comunidade perto das 14h30. A previsão do Franco foi certa, os Arthuros não nos quiseram. Seguimos viagem. Próximo roteiro, Cordisburgo. Da estrada ligamos para o Brasinha, contato que nos foi passado pela Gabriela, nossa amiga da Folha de São Paulo. Ele arrumou rapidamente tudo para nós. Chegamos em Cordisburgo perto das 18h.

Casa Branca, 14 de julho
Desde domingo que não dormimos dentro da Alice, nem preparamos nosso acampamento. Confesso que Franco e eu sentimos saudades; algo como se quiséssemos chegar em casa.
Aqui, além do carinho da Guilhermina e do Paulo, temos infra que nos permite preparar a Alice para o próximo roteiro.
Daqui nos afastaremos do rio São Francisco e seguiremos para o Vale do Jequitinhonha, mas confesso que não estamos tranquilos por deixar para trás algumas cidades sem visitar. Talvez mudemos essa rota… Ainda estamos decidindo.

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Pains, Minas Gerais, 10 de julho de 2010

Deixamos Pains com o coração apertado e seguimos para Casa Branca, local de descanso e organização de trabalho e preparação da kombi para novas aventuras.

Pains, Minas Gerais, 5 de julho de 2010

Estamos em Pains. O pessoal aqui foi muito acolhedor e estamos trabalhando com a Secretaria de Educação e com o Centro de Referência de Revitalização do Rio São Francisco.

Ontem foi um dia de aventura: saimos com o Dirceu e o Antonio Lucas ás 9h da manhã e retornamos às 22h. Foi um dia inteirinho conhecendo formações rochosas, acompanhando as obras de revitalização, conhecendo fazendas e subindo a serra. Por último visitamos uma gruta.

Ganhei alguns carapatinho e muitas fotos que ainda não tivemos tempo de processar.

Agora a noite teremos novo encontro cpom o pessoal do Centro de Revitalização do Rio São Francisco.

Fui.
São Roque de Minas Gerais, 09 de Junho de 2010

A noite ontem foi bem fria, mas ficamos bem. No entardecer, fomos para a praça da Matriz e lá nos encontramos com antigos moradores da cidade, que nos bancos da praça, nos deliciaram com suas histórias.
Depois, ganhamos uma carona do Seu Vicente, um morador antigo de 80 anos, que trabalha com um taxi lá na praça.

Tarde linda essa!

Chegando em casa, Franco colocou um cd de música gaúcha e descansamos na rede, saboreando um delicioso chuimarrão.

Embalados, carregamos as câmeras e baixamos as fotos feitas pelas crianças.

Hoje, recebemos bem de manhã a visita do seu José, que nos brindou com contos lindos. Aguardem os vídeos com as narrativas orais.

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São Roque de Minas Gerais, 08 de junho de 2010

Começamos ontem a oficina de fotografia infantil aqui em São Roque de Minas Gerais. Ficaremos na cidade até o dia 11/06. Depois devemos seguir viagem para Vargem Bonita, ou quem sabe Sacramento.

Esta dúvida surgiu, porque não foi muito fácil localizar por aqui, as pessoas que contam histórias e nem onde estão as evidências da história. Ontem as primeiras luzes começaram a se acender e hoje com as informações recebidas podemos mapear o novo trajeto da viagem.

O IBAMA está em greve e o Parque Nacional da Serra da Canastra só está aberto para a visitação nos finais de semana. Isto tem dificultado um pouco nosso trabalho. Hoje conseguimos um contato com o Ibama que nos deu algumas orientações de viagem e procedimentos que devemos seguir para fotografar algumas evidências históricas que se encontram dentro do parque.

Amanhã falaremos com o Sr. Darlan, tentando uma autorização para fotografarmos o retiro das pedras